– Uma semana já se passou desde o início dos jogos. – observou em voz
alta uma mulher sentada em um dos galhos da árvore. Seus olhos negros
como a escuridão fitavam a lenta ascensão do sol no horizonte enquanto
os cabelos castanhos esvoaçavam com a brisa em suas costas.
Ela
desceu do galho da árvore e começou a caminhar, porém um barulho que
viera de algum lugar atrás dela e uma sensação a fez parar e olhar para
trás. A visibilidade era melhor que à noite e pior que ao dia, por mais
que tentasse encontrar algo naquela pouca claridade, ela não encontrou
nada. Ela continuou sua caminhada, mas a sensação de ser seguida não
desaparecia.
O céu se tornava mais claro à medida que o tempo
passava, a sensação de ser seguida, a essa altura, era quase uma
certeza. Mas como fazer para despistar quem a perseguia? Ou como
descobrir quem era e onde estava? Ela preparou uma pequena armadilha
para o misterioso convidado.
Enquanto caminhava pela floresta,
ela preparara inúmeras armadilhas mágicas ao longo do caminho, ela só
precisava ativá-las quando chegasse a hora certa. O percurso caminhado
fora longo, quando ela avistou o imenso rochedo na clareira da floresta,
ela o contornou, ativando a magia que criara.
Ele a seguiu e
contornou o rochedo também, porém não a encontrou e o lugar havia mudado
completamente. Ele se lembrara de caminhar numa floresta razoavelmente
densa, entretanto ele se deparava agora com um penhasco desflorestado e
íngreme; não era possível ver o que havia na base do penhasco devido à
densa neblina que se acumulara em alguma parte daquele rochedo. Ele
olhou para trás, de onde viera, mas não havia nenhuma sombra de que uma
floresta estivera ali. Tudo o que ele via era rocha e nuvens.
–
Mas o que...? – perguntou-se ele confuso enquanto caminhava lentamente
para frente observando onde estava. – Droga! Como pude não perceber?!
Ele
se culpava por não ter percebido que a mulher era uma maga assim como
ele e também por não ter reparado no grande volume de poder mágico
disperso.
– Não se culpe. – disse ela como se estivesse lendo os pensamentos dele. – A culpa não é sua.
Ao
ouvir a voz dela, ele se virou imediatamente para vê-la. Era incrível o
quanto eram parecidas, o rosto com feições suaves, os olhos negros, a
pele que parecia nunca ter visto o sol e até a forma firme de falar. A
única diferença entre elas era a cor do cabelo, a mulher em frente a ele
tinha os cabelos castanhos enquanto a que ele amara eram negros. Era
difícil de acreditar o que seus olhos viam.
– Por que está me seguindo? – perguntou ela diretamente.
–
Você me faz lembrar alguém que conheço, alguém que amei e morreu diante
de meus olhos. – respondeu melancólico. Ele se aproximava dela
lentamente, queria tocá-la e confirmar se era mesmo real o que via, e
não um delírio.
Ela assistiu a aproximação dele e quando ele
estava perto o suficiente, ela sacou uma de suas adagas e encostou a
ponta no pescoço dele antes que ele pudesse tocar seu rosto.
– Eu não sou a mulher que você ama.
Ela apertou a adaga no pescoço dele forçando-o a recuar, passo a passo.
–
É verdade, você não é ela. Ela mais meiga e morreu há alguns anos
diante de meus olhos... – disse triste – Eu me chamo Darell, qual seu
nome?
Ela o olhou, pensativa, estava em dúvida se lhe dizia ou não.
– Anie - decidiu, por fim, dizer.
Após
o responder, ela o empurrou, jogando-o precipício abaixo. Enquanto
caía, ele fitava o rosto daquela mulher até o perder na imensidão de
nuvens. A queda não parecia ter fim.
No último momento, as nuvens
deram lugar a uma claridade ofuscante que o fizeram fechar os olhos.
Quando os abriu, ele se viu sentado na grama de uma clareira na
floresta, desnorteado. A floresta agia indiferente a ele e a sua queda,
como se ele estivesse sentado ali há muito tempo, ela estava calma e
silenciosa. Não havia sinal da mulher também.
Ele olhou para os lados a procura de respostas.
– Magia ilusória? – perguntou-se.
A
magia de ilusão que Anie criara serviu para despistá-lo. Enquanto isso,
ela espreitava um vilarejo de pequenas e estranhas criaturas verdes, os
dosks, do alto de uma árvore. Os dosks pareciam agitados com alguma
coisa, alguns andavam de um lado para outro dentro do vilarejo, outros
patrulhavam a floresta nos arredores.
Anie observou a
movimentação dos dosks por horas até avistar o que procurava. Estava em
uma pequena caixa de madeira, nas mãos minúsculas de uma mulher dosk.
Ela levou a caixa até uma grande construção no centro do vilarejo e por
lá ficou por algum tempo.
Anie aproveitou o momento para
monitorar os guardas e planejar como roubar o artefato. Contudo, seu
plano de observar e esperar o melhor momento para o roubo não iria sair
como desejava. Ela avistou Darell perdido entre as rotas de patrulhas.
– O que?! – exclamou surpresa – O que ele está fazendo aqui?
Sem
tempo para pensar em hipóteses para sua pergunta retórica, ela
aproveitou o momento em que ele passou embaixo da árvore que ela estava
para puxá-lo para cima e, assim, tirá-lo das vistas dos dosks. Após
puxá-lo, ela subiu alguns galhos acima para obter uma melhor
visualização de seu alvo.
– Sabia que te encontraria por esses lados! – exclamou o rapaz feliz ao encontrá-la.
– Shhhhh! – sussurrou.
Ele subiu os galhos até onde ela estava e, ao lado dela, ele sussurrou.
– O que estamos fazendo aqui, sussurrando um para o outro?
–
Você eu não sei, eu estou colhendo informações. – respondeu ela sem
direcionar o olhar ao rapaz. Ela observava a vila atentamente, algo
parecia diferente. – Como me achou?
– Depois que você usou aquela
magia ilusória para me despistar e foi embora, eu procurei pelo seu
rastro mágico e o segui. No início fora difícil encontrá-lo, mas eu o
encontrei e aqui estou. Todo mago deixa rastros mágicos que podem ser
rastreados por outros magos ou por pessoas treinadas.
– Um mago?!
- ela o fitou, cética com o que ouviu. Mesmo que um competidor
escolhesse a magia como uma de suas habilidades, seria preciso mais do
que uma semana naquele jogo, treinando suas habilidades, para aprender a
rastrear outros magos. Para saber fazer isso em tão pouco tempo de
jogo, Darell só poderia ser um mago natural que viera de seu mundo com
treinamento em magia.
Ele sorriu em resposta a ela, confirmando sua teoria.
– Sou mago como você. Não percebeu?
–
Não imaginei que encontraria um mago de verdade entre os participantes.
Poucos escolheriam a magia como uma de suas habilidades quando se já é
um mago. Você não perderia sua magia e deixaria de ser mago se
escolhesse outra coisa no lugar.
– Escolher uma habilidade que eu
já possuo aumentaria seu potencial, sendo assim, se eu escolher a magia
enquanto já sou mago, isso aumentaria meu potencial mago e eu ganharia
uma grande vantagem sobre os outros competidores.
Anie continuava
fitando-o, incrédula. Pouquíssimos perceberiam este minúsculo detalhe, a
maioria iria preferir escolher outra habilidade ao invés de escolher
uma que já tenha.
– Mas então, que informações você está colhendo?
A
pergunta a fizera se lembrar da vila dos dosks, que por um momento ela
esquecera. Rapidamente ela voltara a olhar para a vila e observar os
dosks. O artefato que ela buscava não estava mais na casa principal da
vila, estava nos braços de uma mulher que o levava para algum lugar.
Havia alguns dosks ao redor dela, protegendo-a, eles se encaminhavam
para algum lugar do lado de fora da vila.
– Eles estão levantando acampamento! – esbravejou Anie.
– Eles quem? – perguntou enquanto descia da árvore o mais rápido possível na tentativa de acompanhar a jovem.
Ao
chegar ao solo, Anie correu o máximo que podia em direção ao rastro
mágico dos dosks até chegar a uma pequena clareira no meio da floresta,
onde ela parara. Ela deu dois passos adentro da clareira e então parou,
olhou ao redor atrás de algo, mas nada viu ou sentiu.
– Você corre demais. – arfou Darell.
– E você está fora de forma.
– Por que parou? – perguntou percebendo a inquietação de Anie.
–
Perdi o rastro... – ela parou de falar por alguns minutos, então
retomou – Não, algo ofuscou o rastro. Não estamos sozinhos nessa
clareira!
Após Anie terminar de falar, uma brisa passou por eles
agitando as árvores e os arbustos ao redor da clareira. A floresta
estava silenciosa, mas algo inquietava Anie.
– Como sabe que há alguém aqui?
– Posso sentir um cheiro estranho no ar.
Ela olhou ao redor até se focar em um arbusto específico a sua frente.
– Há alguém ali. – disse apontando para o arbusto.
Antes
que Darell pudesse processar a informação e formular uma nova pergunta,
alguma coisa saiu do arbusto e os atacou. Anie fora rápida e sacara
suas adagas para se defender das garras da misteriosa criatura que os
atacara. A criatura tentou desferir vários golpes com suas garras, porém
Anie defendeu todos com as adagas, mesmo com maior a força imposta nos
ataques da estranha criatura, a adaga continuava intacta. Frustrada, a
criatura deu pulo para trás, recuando.
Anie e a criatura se
encararam por algum tempo. A atacante era uma espécie de mulher-gato
muito estranha. Ela tinha um cabelo liso que ia até um pouco abaixo dos
ombros e, misturado aos cabelos negros, havia duas orelhas peludas, uma
de cada lado, que se assemelhavam a orelhas de gatos e outro par de
orelhas presas à face, estas eram orelhas humanas. Em lugar das unhas,
ela tinha garras afiadíssimas que poderiam perfurar uma infinidade de
coisas, talvez se não fosse pelos encantamentos de Anie, as adagas
estariam estraçalhadas agora. O rabo da mulher-gato seria idêntico a
qualquer rabo de gato normal se não fosse por estranhas escamas negras
entremeadas aos pelos, ele se mexia freneticamente demonstrando sua
excitação.
– Você é durona, nunca encontrei ninguém capaz de defender meus golpes assim. – comentou a misteriosa mulher.
–
Obrigada. Você também é, para me fazer usar encantamentos de proteção
em minhas adagas... – respondeu Anie fitando os estranhos olhos da outra
mulher. Eram olhos de gatos, mas na cor de fogo e pareciam brasas em
chama.
Enquanto as duas estavam ocupadas se encarando, um grupo
de dosks invadiu a clareira. Então aconteceu tudo muito rápido, o líder
do grupo resmungou qualquer coisa na língua deles e os outros, no total
de dez dosks, tacaram uma composição química que produziu um gás
sonífero. Na confusão, Anie teve apenas tempo de conjurar um feitiço de
alto nível que teletransportou ela e Darell para outro lugar mais
seguro.
Os dois escaparam rápido da confusão, mas inalaram gás
suficiente para deixá-los sonolentos. Para Anie foi ainda pior, a
inalação do gás somada ao uso do feitiço de teletransporte a fizera
perder todas suas energias, ela desmaiou no mesmo instante que os dois
foram levados a outro lugar.
Já era noite quando Anie acordou, ainda se sentia cansada mentalmente.
– Por quanto tempo eu dormi? – perguntou ela a Darell ainda se sentindo um pouco tonta.
– A julgar pela posição dos astros, eu diria que aproximadamente doze horas.
–
Como pôde me deixar dormir por tanto tempo? Preciso seguir o rastro
daqueles monstrinhos verdes. – enquanto resmungava, Anie tentou se
levantar, mas Darell a impediu.
– Não! Você precisa descansar. –
disse suavemente enquanto segurava os ombros da jovem. Impedindo-a de se
levantar – Você usou muitos encantamentos hoje, inclusive um de alto
nível, deve estar exausta agora. Amanhã poderemos resolver isso, seja lá
o que você quer com eles, eu te ajudo.
– Amanhã pode estar tudo perdido, eu preciso pegar aquele artefato!
–
Eles não irão a lugar algum, tampouco outros aparecerão em tão pouco
tempo. Você pode esperar até amanhã e dormir agora, irá precisar de
todas as suas energias se quiser invadir aquela vila.
– É perigoso dormir numa floresta rodeada de perigos dessa maneira!
– Será apenas se ambos dormirem. Durma, eu fico acordado de vigia e te protejo se algo nos atacar.
– Por que insiste tanto em me ajudar? – perguntou confusa.
Ele soltou os ombros de Anie, deitou na grama ao lado dela e então respondeu.
–
Eu te disse, não? Você se parece muito com a mulher que um dia eu amei.
Preciso me redimir por tê-la deixado morrer, por isso irei te proteger
até o final do jogo. – respondeu ele olhando para a pequena parte do céu
que não era coberto pelas árvores.
Anie se restringira a não
dizer nada mais, apenas deitou novamente na grama para cair em um sono
profundo. Quando a jovem pegou no sono, Darell levantou e se sentou na
parte da grama iluminada pela luz da lua em posição de meditação. O luar
fazia seus cabelos cor-de-mel resplandecer em tons prateados e seus
olhos azuis parecerem cinza.
Sentado na grama, ele se ajeitou e
se concentrou, então rapidamente uma primeira barreira se ergueu ao
redor dos dois. Esta impedia que qualquer coisa material penetrasse
mesmo se fosse apenas uma folha que caíra da árvore, ao tocar na
barreira, qualquer coisa era desintegrada no mesmo instante.
Uma
segunda barreira foi erguida depois da primeira. Esta mantinha qualquer
animal da floresta ou qualquer outro jogador longe daquela área e
escondia qualquer traço mágico de outros magos. Qualquer coisa viva que
se aproximasse da barreira tinha seus sentidos deturpados para que
estivesse sempre longe. Em poucos minutos ambas as barreiras foram
levantadas afinal elas cobriam uma pequena área, o que lhe favorecia.
Com
os olhos abertos e focados no nada, ele criou uma projeção espiritual
branca de si mesmo. Esta projeção atravessou as duas barreiras e foi
atrás dos dosks, rastreando a magia dos pequenos monstros. Uma segunda
projeção espiritual foi criada, mas esta era vermelha e era duas vezes
maior que sua altura. A projeção de ataque atravessou a primeira
barreira e ali permaneceu, entre as duas barreiras para o caso de um
eventual ataque inimigo, na forma espiritual na qual era invisível para
olhos humanos.
Enquanto o corpo do rapaz permanecia sentado na
grama, como uma estátua, a projeção branca seguiu floresta adentro,
atravessando árvores e animais. Os poucos animais capazes de perceber a
projeção pouco se importaram com sua presença, assim Darell pôde
prosseguir com rapidez.
O rastro mágico dos dosks o levou até a
vila deles. A estranha mulher-gato de algumas horas antes estava
amarrada à árvore no centro da vila, apenas sua boca se mexia revezando
entre palavras ofensivas e gestos que indicava sua tentativa de mexer
seu corpo, porém este não a respondia, permanecia imóvel.
Em
frente à estranha mulher, havia uma imensa fogueira na qual as brasas
chegavam a uma altura maior que a construção principal da vila, a maior
delas, medindo dois metros de altura. Vários dosks estavam ao redor da
fogueira, alguns jovens homens trabalhavam na manutenção do fogo, as
mulheres trabalhavam no preparo de alguma coisa que Darell não soube
identificar, as crianças correriam e brincavam ao redor do fogo e os
idosos admiravam o tamanho da fogueira e o que aquilo parecia significar
enquanto um pequeno grupo de dosks anciãos discutia sobre algo que
Darell não conseguia entender.
Os dosks eram seres estranhos, a
altura média deles não chegava a um metro, em geral tinham por volta dos
setenta centímetros. A pele era toda enrugada, mesmo nos mais jovens,
seca e verde. Os olhos eram como duas fossas negras e, diferente dos
humanos, não tinham a parte branca ou a colorida do olho, era tudo
negro. Possuíam fininhos seis dedos em duas minúsculas mãos e nenhum
pelo no corpo, exceto por alguns fiapos brancos de algo que se
assemelharia a cabelos na cabeça. Os dentes eram afiados como de
qualquer predador.
Do edifício principal em frente à praça onde
estava a fogueira, saiu um dosk muitíssimo velho, era o mais velho de
todos. Ele segurava um cajado de madeira cuja uma das extremidades
portava um cristal negro como uma noite sem lua, era o líder da vila.
Ao
se aproximar do grupo que discutia, o senhor dosk bateu seu cajado no
chão, produzindo um som anômalo para madeira que era suave para os
ouvidos, mas perturbador para a mente. Rapidamente o grupo se aquietou e
fitou os olhos ressecados de seu líder. O senhor balbuciou alguma coisa
que foi rapidamente atendido pelos outros, eles pararam de brigar e
começaram a passar ordens ao resto dos dosks da vila na qual foram
preparar alguma coisa em específico.
Quando Anie acordou
ainda era noite, o sol nasceria em poucas horas. Ela olhou para Darell,
que ainda estava sentado na grama sob o luar, de costas para a ela.
Estranhas bolinhas luminosas - parecidas com vaga-lumes, contudo de cor
prateada - rodeava o jovem e dava um toque mágico e bonito à pequena
área iluminada pelo luar. Ela passou um tempo observando a beleza
daquelas estranhas bolinhas, depois olhou ao seu redor. As duas
barreiras continuavam funcionais e intactas, ela também viu um ser que
deveria possuir cerca três metros e meio de altura parado entre as duas
barreiras, em guarda.
Tudo parecia em perfeita ordem, então ela
caminhou até Darell e pôs uma de suas mãos no ombro do rapaz, ele, ao
perceber uma mão em seu ombro, piscou seus olhos pela primeira vez em
horas e virou-se para trás para ver Anie, despertando de seu transe
mágico. Ao despertar do transe, as barreiras se dissolveram na mesma
rapidez com que foram construídas. A projeção também foi desfeita,
liberando faíscas sem calor de cor vermelha conforme ia se dissolvendo
até não restar nada.
– Precisamos nos apressar, talvez dê para pegarmos o artefato enquanto os dosks estão dormindo. disse Anie.
– Dosks...? – perguntou-se.
– Sim, aqueles monstrinhos verdes. Eles devem estar dormindo a essa hora, na vila deles.
Darell se levantou do chão e os dois começaram a caminhar na direção que o rastro levava.
– O que é exatamente esse artefato? – perguntou Darell curioso.
–
Não sei te dizer exatamente. Poucos dias após o começo da competição,
eu notei uma movimentação estranha na vila desses seres e comecei a
monitorá-los desde então. Ainda não tive a oportunidade de ver o
artefato de fato, quando transportavam, estava sempre dentro de uma
caixa de madeira, mas posso sentir o poder que ele emana. Este poder
também fez com que essa espécie ficasse mais agressiva e se organizasse
da forma que se organizaram em tão pouco tempo, então creio que seja
algo poderoso.
– Estive na vila deles ontem à noite, o mais velho do tal dosks portava um cajado muito estranho. Aquela pedra me dá arrepios.
– Que pedra?
–
Na ponta do cajado dele havia uma pequena pedra negra encrostada,
quando ele bateu com o cajado no chão, senti algo estranho. O ruído da
batida não parecia nada demais em si, mas foi perturbador.
– Pedra... – pensou Anie – O que mais viu quando esteve lá?
–
Eles estavam se preparando para alguma coisa, estavam aumentando a
fogueira e aquela mulher-gato de ontem também estava lá, ela estava
amarrada a uma árvore.
Parece que eles farão um banquete hoje à noite, pensou Anie.
– O que farão com a mulher?
– Vão comê-la, ela será o prato principal.
–
Eles comem tudo o que veem pela frente e comida como ela é considerada
uma iguaria rara. Agora por falar em comida, é melhor você comer também e
recuperar suas energias, se o que me disse for verdade, teremos
trabalho para roubar o artefato.
Anie parou em frente a uma
grande árvore no meio da floresta e indicou os frutos da árvore enquanto
falava. Aquele brilho intenso e branco não deixava dúvidas, era
ambrosia.
Darell pegou um dos frutos da árvore e deu uma mordida,
ele tinha suas dúvidas se aquilo era realmente comestível, mas seu
estômago roncava de fome e seu poder mágico estava esgotado depois de
passar a madrugada inteira com as barreiras levantadas e duas projeções
mágicas. Aos olhos de alguém que não sabe, a magia parece algo incrível e
fácil de ser usada, mas para todos os magos do universo este era quase
uma regra básica para todos, a magia é exaustiva e pode ser letal se o
usuário não conhecer os próprios limites. Ultrapassar em muito o limite
suportado pelo usuário de magia daria em morte na certa.
– O que é isso? É delicioso. – perguntou Darell após a primeira mordida.
–
Ambrosia. O gosto pode ser delicioso, mas não coma mais do que um
fruto, essa fruta é viciante e se comer em exagero, ela irá te matar.
Porém se comer o suficiente, ela pode trazer muitos benefícios, como
curar doenças ou restaurar o poder mágico.
A forma como
Anie falara soou como uma indireta para Darell, ele havia gasto todo o
seu poder cuidando para que não houvesse ataques enquanto Anie
descansava ou para que se houvesse, o agressor pudesse ser neutralizado.
Ele estava cansado, com sono, mentalmente esgotado e muito pálido.
Anie
também comeu um pouco da fruta, mas não uma inteira. Suas energias
estavam quase todas restauradas após o sono, contudo ela preferiu
garantir alguma energia extra com a fruta. A julgar pela descrição do
ancião dosk, ela iria necessitar dessa energia.
– Como pode saber tanto sobre este lugar? – perguntou Darell.
–
Porque aqui é minha casa. Cada participante vem de um espaço-tempo
diferente, eu vim daqui mesmo. Mithra é e sempre foi a minha casa. –
respondeu secamente, como se aquilo não tivesse a menor importância. –
Ajude-me a pegar alguns frutos para guardarmos para quando precisarmos,
nunca saberemos quando encontraremos uma árvore de ambrosia novamente.
Tivemos sorte dessa vez.
Com a ajuda do rapaz, os dois coletaram
um total de cinco frutos que estavam ao alcance deles, os outros estavam
muito altos ou parcialmente comidos por outros animais. Anie colocou
todos os frutos numa espécie de inventário mágico que lhe permitia
guardar o que ela desejasse em seu interior sem se preocupar com a
quantidade de coisas ou com o tamanho delas. O inventário ainda não
ocupava espaço algum e não possuía peso, o acesso ao inventário era
feito mediante uma fenda no espaço na qual Anie só precisava enfiar sua
mão e pegar ou por o que ela desejasse para, então, sumir no espaço sem
deixar qualquer vestígio.
Já estava começando a amanhecer quando
os dois voltaram a caminhar em direção a vila. O trajeto não era muito
grande, mas chegariam após o amanhecer total e, se tivessem sorte,
enquanto os dosks estivessem dormindo. Durante todo o caminho até a
vila, eles permaneceram calados e andaram rápido.
Ao chegar à
vila, os dois jovens se depararam com uma cena incomum. Apesar de haver
casas na vila, todos os dosks estavam dormindo do lado de fora, no chão e
ao redor da fogueira, que já estava apagada. Eles roncavam alto e
tinham um cheiro podre.
Anie e Darell não conseguirem resistir a
expressar uma careta de nojo ao sentir aquele cheiro. O odor acre ardia
as narinas dos dois e os deixavam inebriados. Eles avançaram entre os
seres de vagar, tomando cuidado para que não pisasse em algum deles e
acordasse todos. Seria muito trabalhoso e cansativo se tivessem que
lutar contra todos, visto que estavam em desvantagem numérica.
A
mulher-gato estava amarrada a um pedaço de madeira acima da fogueira e é
normalmente usado para cozinhar carnes na fogueira. Por sorte, ela
estava inteira, sem machucados ou sinal de que tentaram cozinhá-la, ela
parecia feliz enquanto dormia pendurada daquele jeito.
O artefato
que Anie procurava estava no cajado do senhor dosk como Darell
descrevera, a pedra era de um negro mortal e algo em seu interior
parecia resplandecer em um tênue brilho negro. Ao ver aquela pedra, ela
entendeu o porquê da rápida mudança de comportamento dos dosks naquela
semana, aquele era um autêntico cristal das trevas, um artefato de
grande valor para qualquer usuário de magia.
– Achou o que procurava? – murmurou Darell perto da jovem.
Ela
assentiu se baixando devagar para tirar a pedra do cajado sem acordar o
dosk. Porém de novo seus planos não saíram como ela queria.
– Acho que temos um problema. – segredou Darell – É melhor pegar esse cristal logo e darmos o fora daqui.
Anie
se virou para perguntar qual era o problema quando o avistou, um dos
dosks estava acordando. Enquanto Darell colocava uma barreira à prova de
som em torno daquele que acordava, Anie tentava pegar o cristal do
cajado. O cristal não saía, não importava quantas vezes ela tentasse,
estava preso de forma que ela nunca vira antes. A tentativa de Darell
também fora em vão, sua barreira desintegrou no mesmo instante em que o
dosk apontou o dedo para esta. Ele ainda tentou criar outras barreiras,
mas todas suas tentativas foram em vão.
– Nossos problemas só estão aumentando. – disse Anie com suas costas encostada nas costas de Darell.
– Sim, estão.
O
senhor dosk também havia acordado e parecia de mal humor. Ele e o outro
dosk acordado gritaram em uníssono algo na língua deles. Aos poucos
todos os outros dosks da vila foram acordando e levantando, quando todos
estavam de pé, o senhor com o cajado bateu o cajado três vezes no chão
enquanto falava algo para os outros e apontava para Anie e Darell.
– Você entende o que ele disse? – perguntou Darell confuso.
– Chamou-nos de ladrões.
– O que fazem com ladrões?
– Comem... Vivos!
Eles
estavam cercados por toda a vila, precisavam reagir. Darell foi quem
deu o primeiro passo, ele tentou criar mais de suas barreiras, porém ela
fora dissipada rapidamente como a anterior. Ele tentou de novo, sem
sucesso.
– Droga, por que não está funcionando? – perguntou-se o rapaz.
– Magia não funcionará com eles, são usuários da anti-magia.
Isso
explicava o porquê de suas barreiras não funcionarem, todavia, se eles
eram usuários da anti-magia, como dois magos poderiam derrotá-los? E
mesmo se não fôssemos, as habilidades dadas no início do jogo foi por
magia, estas também seriam anuladas se eles percebessem. - Pensou Darell.
– Não podemos. – respondeu Anie lendo os pensamentos do rapaz. – Precisaremos utilizar nossas habilidades não mágicas.
Anie invocou duas armas rapidamente para eles usarem. A invocação fora rápida, por isso não fora anulada pelos dosks.
– Use isso. – disse Anie passando uma espada ao rapaz.
Ele pegou a espada da mão de Anie, intrigado, ele a analisou e por fim perguntou.
– O que é isso? Um artefato?
– Não, apenas uma espada comum que eu encontrei no meio do meu caminho uns dias atrás.
Uma
espada... Ele não sabia se chorava ou se ria daquela situação. Ele
nunca fora bom na esgrima e seu condicionamento físico era péssimo,
sempre fora extremamente habilidoso nas artes mágicas e por isso se
tornou um mago. Chegava a ser irônico aquela situação, não podia usar
sua magia e tudo o que lhe restava era uma espada. Talvez o fato de que
era vida ou morte o ajudaria a brandir a espada e ao menos se defender,
foi o que ele tentou.
Anie não podia usar suas adagas por elas
serem encantadas, o que lhe restava utilizar era o que ela preferia
evitar, as suas habilidades de sua real natureza. Não eram habilidades
mágicas, então deveria ser eficiente.
O primeiro ataque contra
Anie veio do senhor dosk, ele estava furioso por ela ter tentado roubar a
sua preciosa joia. Do cajado do ancião, mais precisamente do cristal
negro, raios negros saíram e foram em direção a Anie, que se esquivou
facilmente do ataque mágico. O raio passou de forma anômala ao lado de
vários dosks e não seguiu em linha reta, parecia desviar de todos os
dosks e procurar um alvo, a fogueira.
O cheiro de algo assando invadiu as narinas da mulher-gato e a despertou. Comida,
ela pensou com água na boca e com os olhos fechados ainda. A realidade
fora triste e a desilusão fora grande, quando ela abriu os olhos, viu
que a comida seria ela se não saísse logo dali. O raio que acertara a
fogueira fizera com que esta se acendesse novamente e a mulher-gato
começasse a assar.
– Alguém me tire daqui! – gritou ela, sem ter resposta.
Estavam
todos ocupados com sua batalha, Anie tentava se esquivar daqueles raios
a todo custo enquanto Darell brandia uma espada e cortava alguns dosks.
Ninguém pareceu prestar muito atenção nela.
A mulher-gato assoprou o fogo na tentativa mal sucedida de apagá-lo e então gritou novamente, dessa vez mais alto.
–
Tirem-me logo daqui! Ou vou matar todos vocês, seus monstrengos
feiosos! – ora ela esperneava e gritava insultos, ora ela assoprava o
fogo e se remexia na tentativa de se soltar, sem ter sucesso.
Algum
tempo se passou depois da última ameaça da estranha mulher e ninguém
pareceu ter a notado. Darell havia matado alguns dosks com sua espada,
embora estivesse cheio de arranhões e mordidas pelo corpo. Algumas
partes do seu corpo estavam em carne viva devido aos ferimentos, os
dosks tinham mandíbulas fortes e arrancavam parte da carne dele, as
unhas afiadas passavam bactérias infecciosas pelos arranhões. Ele podia
sentir todos seus ferimentos arderem e doerem, além de sentir seu corpo
pesado e cansado. Se a batalha continuar por mais alguns minutos, ele
viraria comida de criaturinhas verdes.
Anie continuava se
esquivando o máximo que podia dos raios daquele cristal, mas também
estava ficando cansada. Às vezes ela precisava usar sua força para matar
outros dosks que a atacavam enquanto ela se esquivava do ancião ou a
telepatia para usá-los de escudo. Ela precisava pensar em algo ou todos
estariam acabados, foi quando ela se lembrou da mulher-gato.
– Darell, você consegue soltar aquela mulher-gato? – gritou ela do outro lado do campo de batalha.
Ele olhou rapidamente para onde a mulher-gato estava.
– Não. Não importa o que eu faça, ela cairá na fogueira gigante se eu tentar e se queimará.
– Apagarei o fogo, tire-a de lá.
Enquanto
Darell se arrastava até a fogueira, Anie utilizou de seu último trunfo,
uma magia que não seria percebida e anulada pelos dosks. Magos podem
usar qualquer tipo de magia, porém sempre haverá aquele elemento em que o
mago tem a maior afinidade, e, para Anie, este era o elemento água.
Para ela, usar alguma magia deste elemento era muito mais fácil e menos
cansativo do que outros elementos, criar uma pequena tempestade seria
fácil e dificilmente perceptível como magia.
A atmosfera já
estava cheia de partículas de água, o que facilitava para criar a
tempestade e diminuía o consume de poder mágico. Em poucos minutos, as
nuvens se tornaram densas e de um tom acinzentado forte, raios caíam
pela vila e pela floresta, alguns acertavam um dosk e o matava
pulverizado. Aos poucos a chuva começou a cair, no início era uma chuva
fraca e fina, mas rapidamente se tornou muito forte. Parecia que toda a
água da atmosfera estava se precipitando naquele momento acima daquela
vila.
– Agora! – bradou Anie ao ver que o fogo já se apagara.
Naquele
momento, Darell correu o máximo que pôde até a fogueira que era maior
do que ele. Quando chegou ao pé do que restava da fogueira, ele tacou
sua espada para a corda que prendia as mãos da mulher em um pedaço de
madeira. A corda se partiu e ela ficou pendurada de cabeça para baixo.
– Finalmente. – disse a mulher-gato para si mesma com um sorriso malicioso em seu rosto.
Com
as garras, ela cortou a corda dos pés e deu uma cambalhota, caindo de
pé sobre algumas madeiras remanescentes da fogueira. Seu olhar diabólico
estava fixo nos dosks, faíscas saíam de seus olhos em chamas. A
atmosfera ao redor dela estava tão quente que a chuva evaporava antes de
encostar em seu corpo, a madeira em seus pés queimavam e seus pelos
negros aos poucos se tingiam de vermelho-fogo. Cada passo que dava,
fumaça saía de onde antes estavam seus pés. Após algum tempo, todo seu
corpo estava em chamas, mas ela não parecia estar se queimando.
Os
dosks apontaram para ela tentando anular o fogo em seu corpo, porém
nada aconteceu. Tentaram novamente e nada. Ela avançava para cima deles
enquanto tentavam anular o que pensavam ser magia, a cada passo dela
ficavam ainda mais apavorados. Alguns recuavam devagar enquanto ela
avançava, outros gritavam ordem de ataque e alguns poucos ainda tentavam
apagar o fogo.
Um dosk no meio do grupo ainda de pé gritou e
então ela começou a carnificina. Ela correu muito rápido para cima de um
e decepou sua cabeça, depois correu para outro e arrancou seu coração.
Os dosks estavam apavorados e corriam de um lado ao outro em desespero
enquanto ela matava um a um.
Darell estava deitado no chão,
exausto e muito ferido. Sua respiração estava pesada, seus ferimentos
estavam cada vez mais doloridos e o sangue escorria de seu corpo como se
fosse água. Talvez se não fosse pela magia de cura que ele aplicou
sobre seu próprio corpo, nesse instante ele estaria morto. Apesar de
todos os ferimentos e a dor que sentia, ele estava feliz de ter
sobrevivido àquela batalha quase impossível.
Anie também estava
exausta e de joelhos no chão. Após gritar para Darell agir, o senhor
dosk lançou um raio negro sobre seu corpo. Ela resistia ao raio, mas
seus movimentos estavam comprometidos e sua humanidade aos poucos
desaparecia, revelando a natureza que ela lutava para esconder. Seus
olhos castanhos passaram a ser vermelhos e a pupila esférica
modificou-se para uma forma prismática, como se alguém tivesse pegado
duas extremidades da esfera perfeita e puxado até as extremidades da
esfera maior, a de cor vermelha.
O dosk expressou uma careta de
terror ao ver aqueles olhos e resmungou algo na sua língua. Ela se
contentou a apenas sorrir para ele antes de dizer as últimas palavras
que ele ouviria em vida.
– Acabou. – disse ela a ele na língua dos dosks.
Quando
terminou de falar, um raio caiu em cima daquele velho dosk e este se
desintegrou no mesmo instante. O cajado de madeira que ele sempre
segurava se dissolveu no ar após a morte de seu dono e se transformou em
pó. O cristal encrostado no cajado trincou e se partiu em vários
pedaços enquanto caía no chão. Um pequeno fragmento negro e de forma
ovoide, menor do que a anterior, se manteve intacta enquanto os outros
fragmentos se desintegravam também, ela brilhava intensamente.
A
eletricidade que percorria toda a área ao redor de seu corpo desapareceu
junto com parte do cristal, com os movimentos recuperados, a primeira
coisa que ela fez foi apoiar as mãos no chão com seu olhar direcionado a
este, ela estava ofegante. A respiração dela voltou ao normal aos
poucos e seus olhos voltaram a ser castanhos, então ela pegou a pedra do
chão, levantou-se e analisou o resultado de suas ações.
Todos os
dosks estavam caídos no chão, mortos. Alguns estavam desfigurados,
outros fatiados ou decapitados, mas estavam todos mortos, incluído
mulheres, crianças e idosos. Pareceria um estrago enorme se não fosse
pelo fato de que os corpos inertes desapareciam aos poucos, como se
nunca estivessem ali. As construções também voltaram ao que eram: casas
abandonadas e caídas aos pedaços. A árvore que antes era grande e vívida
passou a ser apenas um tronco oco e sem vida, a fogueira desapareceu
deixando apenas marcas onde um dia estivera uma.
– O que houve aqui? – perguntou Darell ao perceber a mudança do cenário. Tanto ele quanto a mulher-gato estavam confusos.
– Uma cidade fantasma, e a culpa era toda desta pequena pedrinha. – respondeu Anie ao perceber o que havia acontecido ali.
– O que quer dizer? – foi a vez da mulher-gato perguntar.
–
Quando vi essa pedra – disse segurando-a no ar para que ambos pudessem
ver – eu pensei que era o cristal das trevas, mas estava enganada. Este é
o cristal do necromancer, aquele capaz de trazer de volta a vida o que já está morto.
– Você quer dizer que a vila inteira estava morta? – perguntou Darell.
Anie
anuiu. A vila havia sido destruída há muitos anos, porém quando o
cristal fora parar na vila por causa dos jogos, ele trouxera os dosks
que moraram naquelas terras de volta a vida. Contudo, sem alguém para
controlá-los, eles foram controlados pela própria pedra que tinha o
desejo de matar.
Ela guardou a pedra no seu inventário mágico,
aquela era uma pedra perigosa e de difícil manipulação, e pegou um fruto
inteiro de ambrosia. Ela o dividiu em três partes e entregou uma a
Darell e outra a mulher-gato, a terceira parte ela comeu.
A
mulher-gato a olhou, confusa, em seu mundo, ninguém a daria comida.
Arrumar algo para comer era tão difícil onde vivia que muitos se matavam
por uma simples migalha de comida.
– Coma, você se sentirá melhor. – incentivou Darell, lambendo os dedos – E o gosto é delicioso!
Ela olhou para o fruto, depois para Darell e por último por Anie que sorrira para ela.
– Obrigada. – agradeceu emocionada por aquele simples gesto.
Anie
retribuiu com outro sorriso. Enquanto a mulher-gato comia, Anie
caminhou até Darell para ajudá-lo a ficar de pé. Com o potencial
regenerativo da ambrosia, ele já se sentia melhor e os ferimentos
estavam se fechando, mas ainda estava um pouco dolorido. Ela apoiou um
dos braços do rapaz em seu ombro e assim o levantou e carregou até a
mulher-gato.
– A propósito, qual seu nome? – perguntou Anie.
–
Aquele que me criou nunca me deu um nome na verdade, mas onde vivo
todos me chamam pelo nome de minha espécie, Pisyan ou pelo apelido Pis.
–
Prazer, Pis. – disse com um largo sorriso no rosto – Eu me chamo Darell
e essa aqui é a Anie, você quer se juntar a nós, Pis? Teremos mais
chances no jogo se estivermos todos juntos. – disse Darell.
A
pergunta a pegara de surpresa, ela olhou para o rapaz e depois para a
outra mulher que se limitara a assentir positivamente com a cabeça e a
sorrir.
– Adoraria. – respondeu sorrindo também.







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